Tecnologia, Consciência e Humanidade


Resumo coescrito do dia 21/11/24
por Andre Stangl

A aula iniciou com uma discussão aprofundada sobre os avanços em robótica, com ênfase nos robôs humanoides desenvolvidos pela Tesla. Esses dispositivos foram analisados não apenas por suas capacidades funcionais e práticas, mas também pelo impacto simbólico e estético que evocam, remetendo ao imaginário futurista frequentemente explorado em obras de ficção científica.

Foi levantada a questão do fascínio cultural em torno dessas máquinas, refletindo sobre como a estética humanoide influencia nossa percepção e expectativas em relação à tecnologia, misturando o encantamento com o medo do desconhecido.

Singularidade Tecnológica:

  • Refletimos sobre o conceito de singularidade, definido como o momento em que a inteligência artificial ultrapassaria a capacidade cognitiva humana. As reflexões se concentraram em questões filosóficas e práticas como:
    • Quando (e se) a IA poderia desenvolver consciência própria?
    • Quais seriam os critérios para determinar essa consciência?
    • Como essa possibilidade poderia redefinir conceitos de humanidade, subjetividade e autonomia?
  • Discutiu-se o caso polêmico do engenheiro Blake Lemoine, que alegou que o modelo LaMDA, do Google, teria desenvolvido sentimentos e consciência. A análise do caso trouxe à tona o debate sobre o que caracteriza a consciência: a simulação convincente de emoções seria suficiente ou há algo mais inerentemente humano? (leia mais)

Leitura
Stangl, Andre – A tentação (link)

Referência a Isaac Asimov e O Homem Bicentenário:

  • O conto e sua adaptação cinematográfica foram utilizados como ponto de partida para refletir sobre os dilemas éticos e emocionais da interação entre humanos e máquinas.
  • Asimov questiona os limites da humanidade ao apresentar um robô que, ao longo do tempo, adquire não apenas autonomia, mas também desejo por reconhecimento e identidade.
  • A ideia de humanidade foi problematizada de forma expansiva, sugerindo que ela pode ir além do biológico, envolvendo experiências, emoções, criatividade e consciência social.

Segunda Parte: Dinâmica de Escrita Colaborativa

Proposta e Experiência Criativa:

  • Os alunos participaram de uma experiência de coescrita em tempo real, utilizando um documento compartilhado no Google Docs.
  • A atividade teve início a partir de um prompt gerado pelo ChatGPT: “Na dança dos robôs sob a lua digital, quem escreve o silêncio entre seus passos?”

Cada participante contribuiu simultaneamente com trechos e versos, criando um fluxo criativo descentralizado e dinâmico. Essa abordagem resultou em uma experiência de caos produtivo, marcada pela sobreposição de ideias e pela ausência de controle total sobre o resultado final. Entretanto, a estrofe inicial sugerida pela IA funcionou como uma âncora temática, proporcionando certa unidade estética ao texto final.

Reflexões Emergentes:

  • Perda de Controle Individual: A experiência evidenciou como a coescrita mediada por IA desafia a noção tradicional de controle criativo individual, ao dissolver a autoria em um processo coletivo e fluido.
  • Unidade no Caos: Embora o processo fosse colaborativo e descentralizado, o resultado final manteve uma estética coerente, sugerindo que a orientação do prompt inicial exerceu influência significativa, mas não determinante.
  • Ação e Reação em Tempo Real: A simultaneidade das edições também evidenciou como a resposta imediata entre os participantes e a IA molda o resultado de formas imprevisíveis.

Conclusões e Reflexões Finais

  • Autoria Compartilhada e Fragmentada:
    • A experiência destacou como a coescrita mediada por IA desafia e reinterpreta o conceito tradicional de autoria, gerando uma obra que é simultaneamente coletiva e fragmentada.
    • Apesar da multiplicidade de contribuições, a obra final manteve uma sensação de unidade, em parte devido ao prompt inicial e à colaboração orgânica dos participantes.
  • Poesia e Máquina:
    • A IA, ao sugerir o verso inicial, influenciou o tom e a atmosfera da poesia, porém não determinou seu desfecho, evidenciando uma tensão entre a influência tecnológica e a liberdade criativa dos participantes.
  • Desafios e Potencialidades da Coescrita com IA:
    • O exercício revelou tanto os desafios quanto as possibilidades da coescrita mediada por IA, incluindo a diluição da autoria e a expansão das possibilidades expressivas.
    • A prática trouxe à tona a complexidade de equilibrar a inspiração fornecida pela IA com a expressão subjetiva de cada participante.

Essa aula evidenciou a importância de experimentar novas formas de coescrita e refletir criticamente sobre como a tecnologia pode ampliar, desafiar e tensionar os conceitos de criatividade, originalidade e autoria. A interação entre IA e humanos mostrou-se não apenas uma ferramenta prática, mas também um campo fértil para investigar as fronteiras da expressão artística e colaborativa.

Leitura complementar
Stangl, Andre – Uma conversa diferente

Deixe um comentário